quinta-feira, 16 de agosto de 2012

8 dicas de dermatologistas para ter uma pele mais jovem


Não param de surgir produtos no mercado, cada vez mais caros, para melhorar sua pele, combater o envelhecimento, prevenir ou combater rugas, acne ou outros problemas.
Só que não adianta ter um arsenal de cremes se você não souber aproveitá-los. “As pessoas muitas vezes pensam que quanto mais caro um produto, mais eficaz ele será”, disse a dermatologista americana Susan C. Taylor. “Isso não é sempre o caso. As pessoas precisam fazer compras inteligentes, já que há produtos muito eficazes a preços acessíveis”.
E não basta apenas comprar cremes de qualidade. Existem maneiras corretas de aplicá-los, e dicas que você deve seguir, como estar com a pele limpa e fazer movimentos suaves. Os especialistas andam se preocupando cada vez mais com isso, tanto que a Academia Americana de Dermatologia até lançou um vídeo do passo a passo para aplicar cremes no rosto da maneira correta.
A Dra. Taylor também dá suas dicas para obter o máximo de resultado na pele. Confira:
1 – USE PROTETOR SOLAR
Essa dica preciosa é antiga, mas de fato é a que faz mais diferença. A expressão fotoenvelhecimento é usada hoje em dia para caracterizar alterações causadas pelo sol em nossa pele, como rugas, manchas, asperezas, etc. Ou seja, o engrossamento e enrugamento gradual da pele por conta da exposição solar. Não sei se você sabia disso, mas nem sempre é o processo de envelhecer em si que altera nossa pele. O processo que mais a danifica é o sol! Ele pode ser o responsável pela aparência “velha” de uma pele, e pode deixar alguém parecendo ter bem mais idade do que realmente tem.
Então, use protetor solar todos os dias, porque os raios solares podem acelerar os sinais de envelhecimento. Use um hidratante facial com filtro solar de proteção de pelo menos 30. Certifique-se de aplicá-lo por toda a pele que não está coberta pela roupa.
2 – NÃO SE BRONZEIE
Não existe bronzeado seguro. Seja no sol ou nas câmaras de bronzeamento, você estará exposto a raios ultravioletas prejudiciais, que não só podem acelerar o envelhecimento, como podem causar câncer de pele. Tanto que, no Brasil, há mais de dois anos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe o uso de câmaras de bronzeamento artificial. Isso porque, de acordo com um estudo da Agência Internacional para Pesquisas sobre Câncer, fazer uso desta máquina aumenta em 75% as chances de melanoma, o mais grave entre os tipos de câncer de pele, pois é sempre maligno. O UVA, tipo de raio ultravioleta que nos atinge o ano todo de forma constante, está presente nessas câmaras muitas vezes em doses mais altas do que na radiação proveniente do sol, sendo que é o principal causador do fotoenvelhecimento.
3 – HIDRATE-SE
Hidratar-se, mesmo usando faixas umedecidas com água na pele, pode ajudar a reduzir o aparecimento de algumas linhas finas e tornar a sua pele mais brilhante e jovem.
4 – TESTE OS PRODUTOS ANTES DE USÁ-LOS
Você deve testar qualquer produto antes de comprá-lo ou usá-lo, até mesmo os rotulados de “hipoalergênicos”. Para testar, aplique uma pequena quantidade do produto no antebraço interior duas vezes por dia durante quatro a cinco dias. Se você não tiver uma reação, é provavelmente seguro aplicá-lo em seu rosto. Tenha paciência, pois esse procedimento é importante. Já imaginou ter alguma reação no rosto inteiro? O oposto do que você desejava quanto adquiriu o produto.
5 – USE O PRODUTO CONFORME INDICAÇÃO
Ninguém costuma ler as embalagens ou instruções de produtos, mas eles merecem essa atenção, especialmente os que vão no seu rosto. Os ingredientes ativos dos cremes podem fazer mais mal do que bem quando são muito usados. Aplicar mais do que o indicado pode causar obstrução dos poros, manchas e outros efeitos indesejados.
6 – NÃO USE PRODUTOS QUE IRRITAM A PELE
Tem gente que acha que, porque a pele está queimando ou pinicando, ou qualquer outra coisa, é porque o produto está funcionando. Essa ideia é errada! Pare de usar produtos que irritam a pele dessa forma, a não ser que forem prescritos por um dermatologista. Irritar a pele faz com que os sinais de envelhecimento fiquem mais perceptíveis.
7 – LIMITE O NÚMERO DE PRODUTOS QUE USA
Usar muitos produtos em sua pele, especialmente mais de um produto antienvelhecimento, tende a irritá-la. É como o item acima diz: isso faz com que os sinais de envelhecimento fiquem mais perceptíveis, portanto, tem o efeito contrário do desejado.
8 – TENHA PACIÊNCIA
“É muito importante que as pessoas deem um tempo para que o produto funcione. Enquanto um hidratante pode imediatamente melhorar certos aspectos, a maioria dos produtos precisa de pelo menos seis semanas para trabalhar na pele”, explica a Dra. Taylor. “Consulte um dermatologista se depois de seguir essas dicas você ainda não vê os resultados esperados”, conclui.
É, é muito importante cuidar da pele sim. Pela saúde, em primeiro lugar, mas também porque estudos mostram que uma pele bonita é mais importante do que o rosto para tornar alguém atraente. Já imaginou?


sábado, 28 de julho de 2012

Hepatite C


Entenda a Hepatite C




Hepatite C é uma infecção no fígado causada por um vírus. Como na maioria dos casos ela não tem cura, apenas controle, ao longo do tempo pode levar a danos permanentes no fígado como cirrose, câncer ou até mesmo o comprometimento total do órgão. Muitas pessoas convivem anos com este vírus sem saber que estão contaminadas. Isto é muito perigoso, pois elas só acabam percebendo que estão doentes depois que o fígado já está com danos graves. Em alguns casos, o doente pode ter a doença por pouco tempo e logo se restabelecer, é a chamada hepatite aguda. A maioria das pessoas infectadas pelo VHC, no entanto, fica com ele por um longo tempo, de forma crônica.  
Apesar de ser uma doença grave, é possível viver com ela sem grandes alterações no seu dia-a-dia. Hoje, existem 200 milhões de pessoas infectadas por este vírus no mundo. No Brasil, esse número é de aproximadamente 3,2 milhões.
Sintomas Assim como na hepatite B, a C também aparece de duas formas. A aguda, que diz respeito à infecção que logo que o vírus se instala no seu corpo já aparece, e a crônica, na qual o paciente já está com o

vírus há pelo menos seis meses. A maioria das pessoas que tem hepatite C, no entanto, é contaminada pelo tipo crônico. Como muitas não apresentam sintomas, é muito comum que  tenham a doença por 15, 20 anos sem que saibam. Muitas pessoas acabam diagnosticando a doença de forma acidental, em um exame de rotina, ou no momento em que vão doar sangue.

Os sintomas podem ser:
Cansaço extremo 
Dor nas articulações 
Dor de estômago 
Coceira 
Dores musculares 
Urina escura 
Icterícia (pele e olhos amarelados) 

A hepatite C lesiona o fígado bem vagarosamente. Cerca de 25% das pessoas com hepatite C crônica desenvolvem danos graves neste órgão como cirrose. Se você desenvolver esta doença, pode ter os seguintes sintomas: 

Avermelhamento das palmas das mãos, uma vez que os vasos sanguíneos ficam dilatados 
Pequenos vasos sanguíneos marcados na pele. São similares a pequenas teias de vasinhos vermelhos e geralmente aparecem no peito, nos ombros e no rosto 
Inchaço no estômago, pernas e pés 
Danos no cérebro e no sistema nervoso, fenômeno que é chamado de encefalopatia. Isto pode ocasionar confusão mental e distúrbios de memória e concentração.

DiagnósticoO mais comum é que as pessoas descubram que estão infectadas pelo vírus sem querer, ao fazer um exame de sangue em um check-up de rotina ou ao doar sangue. O exame vai mostrar um nível alto de enzimas produzidas pelo fígado no sangue e se você tem ou não os anticorpos contra o vírus da hepatite C. Se o exame der positivo e você estiver com a doença, é provável que seu médico lhe peça para fazer uma biópsia do fígado para checar se há algum dano e cicatrizes nele. Na biópsia, o médico vai inserir uma agulha entre suas costelas para coletar uma pequena amostra de tecido do órgão para análise.  

Tratamento
A decisão de tratar a doença com medicamentos anti-virais deve ser tomada em conjunto com seu médico. São tratamentos longos, penosos e bastante caros. Não são capazes de curar a doença, mas sim de controlá-la. Se a lesão no fígado estiver em estágio inicial, é provável que você não precise tomar remédios. Muitas pessoas com hepatite C não percebem mudanças em sua saúde nem apresentam sintomas. Outras se sentem extremamente cansadas e depressivas. Uma boa saída para se sentir melhor e conviver com a doença é se escolher uma atividade física que lhe dê prazer, ter uma boa alimentação, evitar o consumo de álcool e, logicamente, de drogas ilegais. 

O que acontece no seu corpo
Logo após ter sido infectado pelo vírus, a pessoa entra no período agudo da doença. Algumas pessoas ficam permanentemente lutando contra a doença, ou seja, seus anticorpos combatem o vírus da hepatite C e evitam problemas no fígado. A grande maioria dos infectados (cerca de 85%), porém, acaba desenvolvendo a hepatite C crônica. Esta infecção duradoura pode causar pequenas cicatrizes no fígado. Com o passar dos anos, o número de cicatrizes aumenta e acaba por comprometer o funcionamento do órgão. Por conta disso, cerca de 25% das pessoas com hepatite C crônica acabam desenvolvendo problemas mais sérios como cirrose e câncer no fígado. Este processo, no entanto, demora cerca de 20 anos para acontecer. 

Fase aguda
A grande maioria das pessoas não tem qualquer sintoma assim que são infectadas pelo vírus. Por isso, muitas também ficam sem saber que estão doentes. Como a hepatite C não apresenta nenhum sintoma muito específico ou singular, se você se sentir cansado, com dores musculares e nas juntas, por exemplo, seu médico pode achar que você está simplesmente gripado. Mas se você estiver com icterícia, que é o amarelamento da pele e de algumas mucosas do corpo, será mais fácil o médico desconfiar e pedir um exame de sangue para saber se você tem ou não o vírus da hepatite, seja ele do tipo A, B ou C. 

Fase crônicaSe a infecção no fígado persistir por pelo menos seis meses, você já terá entrado na fase crônica da doença. Se você tiver a infecção crônica, é muito provável que seu fígado esteja inflamado. Esta infecção pode durar muitos anos ou então nunca ir embora. Algumas pessoas com hepatite C desenvolvem sérios problemas no fígado, outras não. 

ContágioDiferentemente do vírus da gripe, por exemplo, não é possível pegar hepatite C por meio do contato casual como abraços, beijos, tosse, espirros ou pelo uso compartilhado de talheres, toalhas e outros objetos pessoais. Você poderá contrair a doença se seu sangue entrar em contato com o sangue de alguém que esteja contaminado pelo vírus. A forma mais comum de pegar esta doença é através do compartilhamento de agulhas ou outros equipamentos utilizados para o uso de drogas injetáveis. Se você é um usuário de drogas, o melhor é que deixe o vício. 

Mas, se não o fizer, nunca divida agulhas e outros objetos usados para injetar com amigos e parceiros. A transfusão de sangue e as cirurgias de transplante de órgãos também eram formas de contágio. No entanto, há mais de quinze anos, o sangue de todos os doadores é analisado e testado contra a hepatite C. Em alguns casos bastante raros, se a mãe for portadora do VHC, poderá transmiti-lo a seu bebê no momento do parto. 

Hepatite C é uma doença sexualmente transmissível?Especialistas ainda não têm 100% de certeza sobre este assunto, mas o que se sabe é que, se há algum risco de contrair a hepatite C via ato sexual, ele é bastante pequeno. Se você mora ou tem contato com alguém que tem hepatite C, não se preocupe. Como foi dito anteriormente, não é possível contrair a doença apenas através do contato sexual. Você deve, porém, evitar o compartilhamento de objetos cortantes ou que possam entrar em contato com o sangue da pessoa contaminada pela doença, como barbeadores, navalhas, escovas de dente, cortadores de unha e alicates. 

Contágio e período de incubaçãoO período de incubação é o tempo que a doença leva para manifestar os primeiros sintomas, após o vírus entrar no seu corpo. . Ele pode variar de duas semanas a seis meses, lembrando que muitas pessoas não apresentam sintomas. 

O que aumenta o risco de contrair hepatite C? 
Compartilhar agulhas e outros utensílios usados para injetar drogas 
Fazer piercings ou tratamento de acupuntura com agulhas que não tenham sido esterilizadas (risco de contrair hepatite C desta forma é pequeno) 
Trabalhar em uma clínica de saúde, hospital ou laboratório no qual você esteja exposto a sangue contaminado ou onde você pode se picar com uma agulha já usada. Se você seguir os procedimentos de segurança adequados, o risco de contaminação será muito pequeno 

PrevençãoAté o momento não há vacina que previna contra a hepatite C. O que se pode fazer é reduzir o risco de contrair a doença. 
Não compartilhe agulhas no uso de drogas injetáveis
Se você trabalha em um hospital, laboratório ou centro de saúde, siga as regras de segurança, usando luvas e roupas apropriadas 
Se for fazer uma tatuagem ou colocar um piercing, certifique-se de que o local utiliza instrumentos apropriadamente esterilizados. O mesmo cuidado deve ser tomado no caso de acupuntura 

Se você já estiver contraído a doença, pode evitar transmiti-la a outras pessoas: 
Não deixe que cortes ou feridas fiquem expostos, uma vez que o sangue contido neles pode transmitir o vírus. Curativos e algodões que contenham sangue também deve ser jogados no lixo 
Não doe sangue nem esperma. Pode ser que você possa doar órgãos para outras pessoas também portadoras do VHC 
Não compartilhe objetos de uso pessoal que possam entrar em contato com o seu sangue como escovas de dente, barbeadores, navalhas, cortadores de unha, alicates, etc 

Se você é mãe e está amamentando, não se preocupe. Mesmo com hepatite C você pode e deve continuar a dar o peito a seu filho, já que o vírus não se espalha desta forma. É preciso, no entanto, tomar cuidado com os mamilos para evitar que eles fiquem ressecados e sangrem. 

Procure um médico com urgência se: 
Se sentir extremamente confuso ou tiver alucinações
Apresentar sangramento nas fezes ou vomitar sangue Se você desconfia que está com algum dos sintomas da hepatite C, mas que eles ainda são leves, procure seu médico de confiança. 

Complicações 

Hepatite C e câncer no fígado
A hepatite C é uma infecção que também está associada ao desenvolvimento de câncer no fígado. Assim como no caso da hepatite B, grande parte dos pacientes acaba desenvolvendo cirrose (pequenas ranhuras no órgão que comprometem seu bom funcionamento). Segundo estudos médicos, o câncer costuma aparecer cerca de 28 anos após o organismo ter sido infectado pelo vírus. Antes, no entanto, o normal é que os pacientes apresentem cirrose. Os médicos ainda não conseguiram compreender de que forma a hepatite C pode levar ao câncer no fígado.

Ao contrário do que acontece na hepatite B, o VHC não invade diretamente o material genético das células do fígado. O que se sabe, através de estudos, é que quem tem cirrose, tem mais chances de ter um câncer no fígado. E a cirrose, por sua vez, é uma doença comum nos portadores da hepatite C. Em contrapartida, há pacientes com hepatite C crônica que não desenvolvem cirrose e, mesmo assim, têm câncer. 

ExamesComo dito anteriormente, você pode descobrir que está com hepatite C quando doar sangue ou fizer um exame de rotina. Mas, se não for desta forma e seu médico desconfiar que você tem esta doença, vai pedir um exame de sangue que cheque a presença de anticorpos ao vírus da hepatite C e nível de enzimas no sangue. Se ficar comprovado que você tem os anticorpos, será necessário analisar o material genético deles. Enquanto a presença de anticorpos indica que você foi exposto ao vírus, o teste genético vai mostrar se o paciente está ou não infectado. Em caso de resultado positivo, é provável que o médico lhe peça para fazer uma biópsia do fígado. Este exame mostrará como está o órgão, se foi muito danificado e se já apresenta cirrose. 
O médico também pode requisitar exames de imagem: 

Ultra-som abdominal 
Tomografia computadorizada 

Se existir o risco de câncer de fígado, será necessário um exame para checar a presença de alfa fetoproteina. Se o nível desta substância for elevado, pode indicar que as células são cancerígenas. Também pode ser pedido um exame de sangue para determinar qual tipo de vírus da hepatite C você tem, uma vez que há um tratamento específico para cada genótipo. 

Diagnóstico precoce 
Mesmo que você não tenha qualquer sintoma da doença, deve fazer o exame se: 

Recebeu doação de sangue de alguém que tinha o vírus 
Alguma vez compartilhou agulhas para o uso de drogas, mesmo que isso tenha ocorrido há muitos anos Trabalha na área da saúde e esteve exposto a agulhas ou equipamentos com sangue de pessoas contaminadas pelo VHC 
Teve relações sexuais com alguém portador da doença 
Tem insuficiência renal e faz hemodiálise
Recebeu sangue ou algum órgão antes de 1992, ano em que todos os doadores passaram a ter seu sangue testado para esta doença de forma mais acurada antes da doação 

Desta forma, você evita descobrir a doença só após anos do contágio, o que minimiza as chances de desenvolver problemas mais sérios no fígado, como câncer. 
Tratamento
Saber que está contaminado pela hepatite C pode mudar sua vida. Como na maior parte dos casos ela se torna uma doença crônica e grave, você precisará conviver com ela por muitos anos. Isso pode fazer com que você fique deprimido e com receio do que outras pessoas vão pensar sobre sua doença. O ideal é que você busque apoio dos seus familiares, das pessoas que gosta e do seu médico de confiança.

Pode ser que você se interesse também por participar de grupos de portadores de hepatite C. Procure na internet algum ou peça a conhecidos que indiquem um grupo para você. Pode ser também que o médico não lhe receite nenhum tipo de tratamento. Tudo vai depender de quanto tempo você já está com a doença, qual o estado do seu fígado e quais suas condições gerais de saúde.

Os tratamentos existentes hoje não são totalmente eficazes, possuem efeitos colaterais significativos e são caros. Ainda assim, o médico pode lhe recomendar remédios anti-virais.Eles são similares a proteínas produzidas pelo próprio corpo que têm a função de lutar com infecções. A duração do tratamento vai depender do genótipo de hepatite C que contaminou seu corpo. O tratamento do genótipo 1 geralmente dura cerca de um ano, já os genótipos 2 e 3 são tratados por cerca de seis meses. Se o seu fígado não reagir e não mostrar melhoras em um período de três meses, o tratamento poderá ser interrompido.

O tratamento combinado de interferon e ribavirina tem sucesso em 50% dos casos de hepatite C crônica. Em alguns casos pode haver a cura, em outros, apenas o controle da doença. Nos genótipos 2 e 3, a chance de cura é maior e sobe para 80%. É preciso estar atento aos efeitos colaterais destas medicações. Elas podem causar um cansaço extremo, febre, dores de cabeça, náusea, depressão e também problemas na tireóide. Os remédios não são recomendáveis se você:

Bebe álcool ou usa drogas
Tem cirrose em estágio avançado
Sofre de depressão ou de outros problemas psiquiátricos
Está grávida ou pretende engravidar em breve
Tem alguma doença auto-imune como artrite reumatóide, psoríase ou lúpus ou então diabetes, problemas cardíacos

Tratamentos para casos mais graves
Se os tratamentos não funcionarem e a hepatite C continuar comprometendo o funcionamento do seu fígado, poderá haver a parada completa do órgão. Neste caso, a solução é realizar um transplante de fígado. Este, porém, não é um procedimento fácil de ser realizado.

Tratamento em casaVocê pode ter hepatite C e não notar nenhuma mudança na sua saúde. Muitas pessoas, no entanto, sentem-se cansadas e ficam depressivas. Para aplacar estes sintomas e levar uma vida mais leve e agradável, você pode seguir alguns conselhos:

Hidrate-seÉ essencial manter o corpo hidratado, principalmente se você sentir náuseas e vomitar. Beba muita água. Se gostar, tome também água de coco, uma bebida natural com alto poder de hidratação. Sucos de frutas e isotônicos (bebidas para esportistas que repõem perdas de sais minerais) também são recomendados.

Exercite-seExercitar-se é fundamental. Procure uma atividade que lhe dê prazer, pode ser ginástica, dança ou qualquer outro tipo de esporte. Os exercícios aeróbios são bastante recomendados, uma vez que eles liberam substâncias estimulantes na corrente sanguínea. Elas vão ajudar no combate à depressão.

Alimente-se bem Coma em horários regulares e faça refeições nutritivas. É possível que você perca o apetite e tenha enjôos. Mas precisa se esforçar e comer bem. O ideal é fazer pequenas refeições ao longo do dia. Aproveita o período da manhã, quando os pacientes costumam se sentir melhor, para realizar uma refeição mais farta, com frutas, cereais e outros alimentos saudáveis. Se você tiver cirrose, fuja dos alimentos muito salgados e que contenham muita proteína, como peixes.

Fuja do álcool e das drogas Não usar drogas e restringir o consumo de álcool são atitudes que devem permear a vida de toda pessoa, não apenas dos portadores de hepatite C. As pessoas que estão contaminadas com este vírus, no entanto, devem ficar ainda mais longe destas substâncias. O álcool sobrecarrega as atividades do fígado e aumenta o dano causado pela hepatite. Se você bebe ou usa drogas, não tape o sol com a peneira. Converse com seu médico e peça a ele que lhe ajude a deixar estes vícios para trás.

Não se automediqueMesmo remédios naturais podem sobrecarregar as funções do fígado, por isso é essencial perguntar primeiro ao seu médico se você pode ou não tomar a medicação.

Tente não se coçarÀs vezes a hepatite pode causar uma forte coceira pelo corpo. Como se coçar não ameniza a coceira e pode, inclusive, causar lesões na sua pele, segure-se e não se coce! Se a coceira estiver muito forte, seu médico lhe indicará um remédio. Os mais indicados são os quelantes de sais biliares, dentre eles, a colestiramina.

Cuidado com a depressão
A depressão é uma doença que pode aparecer em todos os pacientes que possuem alguma doença crônica, como a hepatite. Ela também pode ser um efeito colateral causado pelos medicamentos anti-virais. Se você está se sentindo desanimado e depressivo, converse com seu médico e peça conselhos a respeito. Pode ser que terapia ou anti-depressivos lhe ajudem a se sentir melhor e mais bem disposto.

Saiba tudo sobre a doençaLeia e aprenda mais sobre a doença, isso vai ajudá-lo a entender melhor o que ela causa no seu corpo e a ter mais controle sobre ele. Quanto mais você compreender o que acontece com seu corpo e como o tratamento age, você ficará mais seguro para tomar decisões e mudar seu estilo de vida.


Cirurgia
A hepatite C crônica pode causar danos muito graves no fígado, que levam ao comprometimento das funções do órgão. Se este for o seu caso, é bem provável que você precise de um transplante de fígado. Este tipo de cirurgia não é fácil de ser realizada e de ter sucesso, uma vez que pode haver rejeição ao novo órgão. O transplante é bastante caro, envolve risco de morte e não é fácil achar um doador. Além disso, apesar de ter hepatite C, é preciso estar com a saúde em dia.

Você deve ter uma vida saudável, sem álcool e drogas. Doenças psicológicas também podem ser impeditivas para a realização do transplante. A partir do momento que você tem um fígado transplantado, precisará sempre de acompanhamento médico de um especialista. Também será necessário tomar medicamentos específicos que evitam que seu corpo rejeite o novo órgão. Outro problema é que o vírus da hepatite C quase sempre infecta o novo órgão, ainda assim, muitos pacientes conseguem levar uma vida normal e mais agradável após o transplante.

Vivendo com a hepatite CSe você acaba de saber que tem hepatite C, deve ficar atento a duas coisas: você vai conviver durante muitos anos com a doença, então é preciso fazer com que sua vida seja a melhor possível mesmo com ela. Siga os conselhos sobre alimentação, descanso e tratamentos médicos. Além disso, não se isole de amigos e familiares. Ao contrário, busque ajuda e conforto nas pessoas em que confia.

Você também deve procurar um médico por quem tenha empatia e também confiança para lhe auxiliar. Ele vai lhe explicar em detalhes o que é a doença, o que ela causa no seu organismo peça, inclusive, para ele lhe mostrar fotos e figuras do corpo humano, caso lhe interesse. Busque aprender mais sobre a doença. A internet pode ser um bom meio, mas tome cuidado. Assim como em qualquer área do conhecimento, há informações pouco confiáveis na rede, já que qualquer um pode prover conteúdo. A internet, por outro lado, pode ser a melhor forma de encontrar outras pessoas que também sofrem com a hepatite C.

Nos grupos de pacientes, você pode conversar com quem já convive com a doença há mais tempo e saber como a pessoa enfrentou os problemas pelos quais você está começando a passar. Seu médico também pode indicar grupos de apoio.

Converse com seus amigos e familiares
É comum que você fique ansioso e com medo de como as outras pessoas irão reagir a sua doença. A verdade é que a hepatite C é uma doença que infecta todo tipo de pessoa, independente do nível social, cor da pele ou idade. Hoje, no Brasil, calcula-se que há nada menos do que dois milhões de pessoas infectadas por este vírus. Além disso, ela não é tão facilmente transmissível.

O contato social e coisas como tosse, espirro e beijo não transmitem a doença. Isso ajuda, na medida em que as pessoas sabem que não precisam se afastar de você para evitar o contágio. Ainda assim, há muito desconhecimento sobre a doença, o que leva a informações erradas e ao preconceito. Aproveite para explicar às pessoas que convivem com você o que é a doença, como ela é transmitida e mostre que é possível levar uma vida normal mesmo tendo hepatite C. Diga que ela é uma doença com a qual se pode conviver por anos a fio e que as chances de transmiti-la para um familiares são bastante pequenas.

Converse com seu parceiro
Como esta doença é sexualmente transmissível, você precisa compartilhá-la com seu namorado, marido ou parceiro. Os riscos de se contrai a doença através do sexo é pequeno. Ainda assim, é essencial que você use preservativo em todas as relações sexuais. Se você tem a hepatite C há muitos anos, o risco de contaminar seu parceiro via sexo é tão pequeno que seu médico pode até lhe dizer que o preservativo não é necessário. Mas isso só é válido para quem tem apenas um parceiro. Se você tiver múltiplos parceiros, continue usando camisinha.
Fonte: http://www.minhavida.com.br

Estudar ou Não estudar – eis a questão!





Muitos de meus alunos e mesmos meus colegas de profissão me questionam, quanto ao desenvolvimento do hábito de estudar. Principalmente quando sou flagrado nessa afronta inacreditável de estudar todos os dias, seja preparando minhas aulas ou aprendendo algo novo.
Estudar é um conceito chave e caracteriza o ato mais frutífero no processo de ensino-aprendizagem. Quando alguém está estudando, está criando uma oportunidade de aprender. Está hierarquizando procedimentos que proporcionam os elementos essenciais para a construção do conhecimento. O estudar e o aprender estão intimamente relacionados.
Daí o óbvio que muitos querem ignorar:
Para realmente aprender é preciso estudar.
É imperativo que tanto estudantes e professores, sejam capazes de construir ambientes de aprendizagem. Em síntese um ambiente que proporciona as condições mais favoráveis para o estudo, o que não se resume obviamente na concepção de modelos puramente instrucionais, onde a informação é simplesmente disponibilizada com certo didatismo, em via única, indo do instrutor ao aprendiz. Supondo-se na maioria das vezes que este último seja tábula rasa. Um mero recipiente a ser preenchido.
Do ponto de vista filosófico, um ambiente de aprendizagem deve ser antes de tudo um ambiente de estudo dentro de um mundo de instrução capaz de envolver a atividade hermenêutica de construir interpretações.
Em outras palavras a informação só pode ser útil, se dela, se obtém a capacidade de elaborar uma nova concepção da própria realidade. A descoberta deste saber que se tornará alavanca da evolução individual e possibilitará a sua nova leitura de mundo.
Consistente com estes argumentos filosóficos, por exemplo, o estudo de determinada lei natural, não deve limitar-se à simples memorização do enunciado da lei, ou ao estabelecimento de algoritmos de aplicações de sua formalização matemática.
Estudar, em seu pressuposto hermenêutico, caracteriza um conjunto de operações mentais, que possibilitem a formulação de hipóteses, a modelagem de ensaios, o exame dessas hipóteses e a construção de interpretações e previsões de resultados, como reflexo desse modelo, dentro de um determinado contexto prático.
Do aprendizado desse novo conteúdo, o aprendiz terá evoluído o seu discurso, sua forma de pensar e evidentemente sua conduta no mundo do fazer. Nesse ponto o processo ensino-aprendizagem torna-se, a meu ver, algo mais abrangente que denominamos “educação”.
Aliás, é justamente esse elemento de contextualização, que apresenta um papel preponderante, como elemento que desperta a atenção, na construção de um aprendizado pleno de significado que prepara o indivíduo para o mundo e o torna efetivo. O torna cidadão.
O modelo deve ser projetado para ajudar o aprendiz a construir um conhecimento útil em lugar de informação inerte, que simplesmente ilustra.
Deve ser dada ênfase num determinado enfoque que gere interesse e permita que o aprendiz se identifique com o problema e passe a prestar atenção à sua própria percepção e na forma que se dá a construção dessa compreensão e da solução do problema.
Assim o aprendiz, hierarquizado a estudante, pode ser apresentado à informação pertinente a essas percepções, de forma que seu aprendizado seja efetivo e possibilite, a posteriori, aplicar analogamente esse know how desenvolvido na construção de soluções para novos problemas, tornando-se autônomo.
A meta principal de um ambiente de aprendizado é possibilitar ao estudante a percepção das características críticas da situação problema, experimentar as mudanças em sua percepção e entender como se pode analisar a situação por pontos de vistas inovadores.
Porém, a questão determinadora, que tange a meta principal, até no pressuposto de torná-la viável ou não, seria a que se resume no “como” se deve projetar um ambiente de aprendizagem? Ou, em outras palavras, quais são os atributos essenciais que caracterizam um ambiente de estudo?
Do ponto de vista do educador, se inicia simplesmente pelo ato de encantar. De mostrar que o universo a ser aprendido é a cada dia um brinquedo novo.
Do ponto de vista do educando, se inicia com a sua coragem. Coragem de aceitar desafios. De colocar o seu esforço como prioridade. Descobrindo que existem brinquedos muito trabalhosos e que nem por isso deixam de ser divertidos.
Quando o educando aceita a sua parte na responsabilidade de aprender e tornar-se parte da solução ele naturalmente se transforma em educador. Primeiro de si mesmo. E a posteriori dos demais.
O êxito do aprendiz é quando naturalmente ele se transforma também em professor.
O êxito do professor é quando ele descobre humildemente que nunca deixará de ser aprendiz – pois existem neste mundo muitas coisas a se conhecer – e neste ponto ele transcende sua condição de instrutor e se transforma em educador. Estudando sempre e inspirando seus alunos com suas ações a estudarem com alegria e aprenderem com prazer:
Pois, nas palavras do poeta inglês William Yeats:
“Educar não é encher um cântaro, mas sim, acender uma chama”.

Apnéia do sono aumenta o risco de morte para 46%

Apnéia do sono aumenta o risco de morte para 46%


Segundo pesquisadores dos Estados Unidos, aapnéia do sono severa pode aumentar o risco de morte em 46%. Porém, pessoas com problemas brandos de sono e respiração não estão inclusas nesse percentual.
Naresh Punjabi da Universidade John Hopkins e seus colegas, descobriram que pessoas com dificuldades severas de respiração durante o sono estão mais propensas a morrer de causas variadas do que pessoas sem distúrbios do sono. Os riscos são mais óbvios em homens com idade de 40 a 70 anos.
apnéia do sono é causada por um colapso das vias aéreas superiores durante o sono. O ronco mais forte pode ser um sintoma, mas o que torna a apnéia diferente são as curtas interrupções na respiração. A apnéia também é ligada a obesidade, pressão alta do sangue, parada cardíaca e derrame.
O grupo de Punjabi estudou 6.400 homens e mulheres durante 8 anos em média. Eles relataram na revista Public Library of Science que, pessoas que começaram com umaapnéia de sono maior têm 46% a mais chance de morrer de qualquer causa em comparação a homens da mesma idade.
Homens na faixa de 40 a 70 anos com distúrbio severo do sono e respiração têm o dobro de chances de morrer de qualquer causa do que homens saudáveis na mesma idade. “Entre os homens 42.9% não tinham distúrbio de sono e respiração, 33.2% tinham uma doença branda, 15.7% doença moderada e 8.2% tinham a doença severa”, explicaram. Já as mulheres tinham cerca de 25% de apnéia branda, 8% moderada e 3% tinham desordem severa na respiração.
De acordo com o médico David Rapoport da Universidade de New York, o melhor tratamento para apnéia do sono é perder peso. E o tratamento mais bem sucedido pode ser o CPAP nasal (Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas) que por meio de uma máscara nasal que faz pressão, ajuda que as vias aéreas a se manterem abertas durante o sono. “Outro possível tratamento é a cirurgia. Inclui a retirada da amídala”, finaliza.[Reuters]

quinta-feira, 7 de junho de 2012


Será que o Brasil tem mais feriados do que outros países?
Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade. (Joseph Goebbels).

 "o Brasil tem muitos feriados". Você, leitor, já ouviu essa frase? Talvez a tenha até repetido, sendo mais um a fazer o papel de papagaio da elite branca brasileira.

Mas você já parou para pesquisar? Quantos feriados há no Japão? E na Europa? Quantas horas semanais trabalho o brasileiro e quantas horas trabalha um alemão?

Levantamento no site www.feriados.net contabiliza que o Brasil tem oito dias de feriado nacional; enquanto a Alemanha tem nove; os Estados Unidos, dez; a Espanha, 11; a Argentina, 13; Portugal, 14; e Japão, 16. Além de menos feriados que os demais países, o brasileiro tem carga de trabalho maior do que de trabalhadores de outros países. “A carga de trabalho no Brasil é uma das mais elevadas no mundo. Nós temos uma jornada de 44 horas, que país civilizado nenhum do mundo tem praticado mais ”, destacou Evilásio Salvador, assessor de Política Fiscal e Orçamentária do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) .

Então, o Brasil tem POUCOS feriados. Mas como sabemos que a lavagem cerebral que a elite tem feito nos trabalhadores ao longo dos séculos é muito eficiente, sugiro que você retorne a esse post, leia novamente, pesquise na internet, até que realmente se convença de que foi enganado esse tempo todo.

E um dos grandes culpados é o PIG (Partido da imprensa Golpista)





terça-feira, 30 de agosto de 2011

ENTREVISTA DO MINISTRO DA EDUCAÇÃO: FIM DO VESTIBULAR, ENSINO MÉDIO E ENEM

Admitindo que o ensino médio foi o que menos reagiu às políticas públicas, o ministro da Educação, Fernando Haddad, espera que o Enem promova a racionalização do currículo e os governo estaduais invistam com prioridade. “Sem ufanismo”, ele avalia que há uma reação na qualidade do ensino, que deve ser alavancada pelo Plano Nacional de Educação (PNE). O ministro não teme a profusão de emendas feitas pelos deputados, muitas delas preocupadas apenas com reivindicações trabalhistas dos professores. A seguir a íntegra da entrevista ao Estado:

Lisandra Paraguassu e Rui Nogueira – O Estado de S. Paulo

Para o ministro, o Plano Nacional de Educação tem virtudes importantes

O senhor diz que alguns temas da sua área precisam ser mais explorados e mais bem discutidos. Quais são eles?

FERNANDO HADDAD – O debate sobre educação não tem sido pautado pelas coisas relevantes. Temos três projetos importantes no Congresso sobre os quais eu tive pouco espaço para falar. Primeiro, o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), que é pouco noticiado e é um programa da maior importância para o País porque completa as reformas que foram iniciadas. Segundo, a reorganização dos hospitais universitários, cujo projeto de lei foi reenviado com regime de urgência. E, terceiro, o PNE (Plano Nacional de Educação). São três programas da maior importância e eu entendo que temos que falar mais disso. Porque, na nossa opinião, é o mais relevante para o País, sem prejuízo de outras questões que despertam interesse do leitor.

O Plano Nacional de Educação, que está no Congresso, inclui uma série de ideias sugeridas pelas Conferências Nacionais de Educação, cheias de boas intenções. O PNE está hoje com quase 3 mil emendas e um forte viés corporativista. O que isso tem a ver com o desafio da qualidade da educação?

HADDAD – Em primeiro lugar, esse é o primeiro Plano de Educação que fala em qualidade na história do País. É o primeiro plano que tem metas de qualidade. Não há precedente em nenhum outro plano. Aliás, isso é inédito no mundo, não só no Brasil. Nenhum Ministério da Educação que eu conheça trabalha com metas de qualidade fixadas, divulgadas e aferidas de maneira centralizada. A primeira virtude desse Plano é ter incorporado a filosofia do Plano Nacional de Desenvolvimento da Educação (PNDE), de 2007. Ele incorpora metas de qualidade, não só metas quantitativas. A segunda virtude do Plano é que ele tem poucas metas, ao contrário do anterior, que tinha 276. Esse plano tem 20, da creche até a pós-graduação. Mas, apesar do número exíguo, são metas que podem ser acompanhadas pela sociedade. Nós não economizamos nas estratégias. Cada meta tem uma estratégia endereçada aos gestores públicos para que ele saiba exatamente o que se espera dele para que a meta nacional seja alcançada. A quarta virtude é a centralidade da figura do professor, tanto do ponto de vista da formação. A formação do professor se torna quase um direito subjetivo daquele jovem com vocação para o magistério. E, hoje, o jovem que deseja ser professor sabe que pode estudar gratuitamente, seja em instituição pública, seja em instituição particular, por aquele mecanismo do Fies (Financiamento Estudantil) em que ele tem sua dívida perdoada caso exerça sua profissão em escola pública. Em quinto lugar, é um Plano que foi acompanhado de uma Lei de Responsabilidade Educacional. Isso também é inédito, responsabilizar o gestor pelos resultados previstos no plano. Por fim, a fixação de um porcentual do PIB (Produto Interno Bruto) a ser investido em educação pública, o que também é uma novidade desse Plano, nenhum outro tem. São seis características desse Plano que o tornam uma peça nova, muito bem recebida pela sociedade em geral, pela própria imprensa.

E a profusão de emendas ao PNE?

HADDAD – Esse número de emendas na verdade não assusta, em função de várias razões. Primeiro, o mesmo assunto foi tratado em várias emendas. No caso do financiamento, em mais de 100, por exemplo. Então, se você depurar vai ver que se está tratando de poucos temas e que as emendas não alteram substancialmente as metas, não elevam o número de metas para os patamares dos planos anteriores e trabalham mais com a estratégia, aperfeiçoando as estratégias que o Plano prevê. O Plano está sendo discutido em um momento muito feliz. A OCDE (Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) acaba de lançar um vídeo institucional sobre o Pisa (em português, Programa Internacional de Avaliação de Alunos) em que o Brasil é destaque. É a primeira vez na história que o País se destaca positivamente. Todos os destaques eram negativos. Foi o terceiro país que mais evoluiu no Pisa, o que nos valeu um documentário de 20 minutos que está sendo divulgado no mundo todo.

O Brasil estava no fundo do poço e não está mais.

HADDAD – Não está mais. Esteve.

O sr. acha que os dados do Pisa são gloriosos para o Brasil? O vídeo destaca apenas um crescimento.

HADDAD – Não, nem a OCDE está dizendo isso, nem nós. É o terceiro maior crescimento.

Mas esse terceiro maior crescimento onde nos coloca?

HADDAD – Acima da Argentina, da Colômbia, do Peru…

Olhe a pujança econômica e institucional do Brasil e compare com os países que o sr. citou

HADDAD – A renda per capita da Argentina é maior do que a nossa. A tradição educacional argentina é superior à nossa. A Argentina estava na nossa frente em 2000.

Somos um dos países que mais cresceram, mas os resultados do exame ainda são desastrosos.

HADDAD – Eu não disse isso. Veja bem. Você pode olhar o Brasil de duas maneiras: a partir de uma fotografia ou a partir de um filme. O que eu estou dizendo é que tivemos a melhor década da educação do ponto de vista da qualidade. Do avanço da qualidade. Nós revertemos uma tendência de queda de qualidade que se observou durante todos os anos 80 e 90. Você não vai achar uma frase ufanista minha a respeito de educação. Mas vai encontrar frases que dizem o seguinte: nós temos muito que caminhar, mas não é bom para o país deixar de reconhecer que, do ponto de vista da qualidade, nós sofremos uma inflexão positiva importante e que precisa ser registrada. Porque a questão motivacional, de compromisso com a educação, é parte de uma história de sucesso. Não bastam mais recursos, melhor gestão, se você não comprometer as pessoas com uma causa que precisa ser nacional. Isso se observou em países como a Irlanda e a Coreia, onde essa questão motivacional, o envolvimento das famílias, foi um ingrediente importante do sucesso. E quando você nega que na primeira década do século 21 houve uma reversão do quadro, do ponto de vista da qualidade, e o Brasil é o único país do mundo que fixou metas de qualidade e as cumpriu, você deixa de impulsionar esse movimento.

Na primeira década dos anos 90 não houve nada positivo?

HADDAD – Houve. Eu acho que a Constituinte de 88 foi um marco muito importante. Eu penso que tivemos ali um momento importante. Ainda no governo Collor foi feita a primeira tentativa de introduzir o conceito de avaliação no Brasil. Depois foi aprimorado pelo governo Fernando Henrique. O Fundef (Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental), embora não tenha tido dinheiro novo da União, dentro de cada estado ele equalizou minimamente o financiamento. As políticas virtuosas dos anos 90 nós procuramos aprofundar e radicalizar. A criação do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), que é um desdobramento do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), o Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica), que incluiu a creche e o ensino médio e colocou R$ 10 bilhões de recursos a mais na Educação Básica, para citar dois exemplos. O aprimoramento do sistema de avaliação, que é reconhecido por todos. Enfim. Mas nós também promovemos inflexões naquilo que julgávamos que merecia correção. Por exemplo, o papel estratégico da expansão da rede federal, tanto na educação profissional quanto superior, e o aumento exponencial do nosso orçamento. O orçamento do MEC triplicou. E ele vinha estagnado, sobretudo em função da DRU (Desvinculação das Receitas da União). Com esses recursos adicionais eu penso que nós alavancamos questões importantes.

O senhor diz que não bastam mais recursos. Mas no Congresso Nacional a discussão do Plano Nacional de Educação se concentra, em boa parte, no porcentual do PIB que será reservado. O debate não pode acabar muito preso nisso e não tratar de outras questões centrais?

HADDAD – Eu entendo que está havendo concentração de esforços em torno desse tema em prejuízo de outros tão importantes quanto esse. Eu acredito que é preciso investir mais em educação no Brasil. Nós temos, dos países do Pisa, a menor renda per capita. A maioria dos países nem faz a prova. Já é um ato de ousadia competir com países de renda per capita o dobro ou o triplo da nossa. Mas eu entendo que nossa dívida educacional exige um esforço maior do País na educação. Mas acho que os debates são muito concentrados num único aspecto do plano.

Os parlamentares discutem muito o uso do dinheiro do petróleo do pré-sal para a educação. Não é um desperdício de foco debater sobre algo que nem se sabe como será, quanto terá e quando terá?

HADDAD – Eu entendo que é importante demarcar posição desde já sobre o destino desse recurso porque muitos países produtores de petróleo desperdiçaram a oportunidade de fazer uma revolução na educação justamente porque, até por não contar com um ambiente democrático, não puderam fazer essa discussão com a sociedade. Então eu penso que essa é uma vantagem do Brasil. Se o país se tornar um grande produtor de petróleo, como eu entendo que vai acontecer, é importante discutir previamente o destino desse recurso. Evidentemente, eu penso que a educação é um bom destino para esses barris, para traduzir essa riqueza finita em uma riqueza que não é finita, que é o conhecimento.

A aprovação do Pronatec, para ampliação do acesso ao ensino médio, não está demorando? O governo da presidente Dilma já está entrando no oitavo mês?

HADDAD – Está trancando a pauta (na Câmara). E nós não retiramos a urgência justamente porque entendemos que é um projeto prioritário. Porque eu estou convencido que o ensino médio brasileiro, que é o que menos reagiu aos estímulos do Ministério da Educação, depende de medidas que estão sendo tomadas – como, por exemplo, o fim do vestibular, a inclusão do no Fundeb, a extensão dos programas de apoio que eram restritos ao fundamental (alimentação, transporte, livro didático) – mas também de ampliarmos o horizonte do jovem. Precisamos ter um segundo turno que permita ao jovem diferenciar seu currículo. Primeiro, ter um currículo mais inteligente no primeiro turno, menos sobrecarregado de conteúdos que ele jamais vai utilizar. É um enxugamento que o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) pretende promover e já está promovendo. O segundo movimento é um segundo turno que é direcionado para a cultura, o esporte e o trabalho. Se promovermos esse movimento a partir do Pronatec, com as medidas que já estão implantadas, vamos ressignificar essa etapa de ensino e permitir ao jovem que não deseja ou não está vocacionado para educação superior concluir a educação básica com condições de pleno exercício da cidadania.

Por que o ensino médio foi o que menos reagiu a essas políticas públicas?

HADDAD – Primeiro porque ele recebe menos atenção dos governos estaduais. Segundo, porque o Ensino Fundamental precisava reagir primeiro. Não havia como melhorar o Médio sem melhorar antes o Fundamental. Terceiro, por falta de um equivalente da Prova Brasil no Ensino Médio, que é um papel que o Enem vai cumprir. E quarto, porque precisamos, a partir do Ensino Médio, promover uma reforma que faça com que a escola responda às expectativas dos estudantes, e não só o estudante às expectativas da escola. Por isso essa diferenciação do currículo com um primeiro turno mais inteligente e um segundo turno mais abrangente do ponto de vista das possibilidades de desenvolvimento intelectual. Essa mudança é que vai completar a reforma dessa etapa.

Inicialmente, uma das fontes pensadas pelo MEC para o Pronatec era o dinheiro do “Sistema S”. Como ficou o resultado dessa discussão?

HADDAD – Está prevista em lei a bolsa formação para estudantes do Ensino Médio que vão poder ou fazer o segundo turno em uma escola pública ou nas escolas do Senai e Senac. São duas questões. A do acordo, que vai até 2014, que prevê que 2/3 das verbas de contribuição compulsória sobre a folha de pagamentos seja destinada à gratuidade.

Esse acordo vem sendo monitorado e está sendo cumprido. Paralelamente, há uma espécie de duplicação do “Sistema S”, que tem outro foco, não exclusivo no trabalhador, mas nos estudantes de Ensino Médio, que nós pretendemos integrar ao Pronatec.

Mas, além disso, havia a questão de uma dívida do “Sistema S” com o governo federal por conta do recolhimento de recursos do salário-educação que foram repassados indevidamente ao Sistema. O MEC falava em usar esses recursos para o Pronatec, transformados em bolsas além do que já deveria ser gratuito por lei.

HADDAD – Isso não está dentro do Pronatec porque está sendo cuidado pelo Tesouro Nacional e pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Isso não é da nossa alçada.

Mas o ministério não estava contando com os recursos?

HADDAD – O Pronatec independe da resolução desse problema.

Em que pé está essa negociação?

HADDAD – O que o ministério fez foi apurar um problema e encaminhamos para a autoridade competente, que é o Tesouro e o Tribunal de Contas da União Esse encontro de contas está sendo feito. Há discrepância de entendimento, mas uma hora terá que se resolver.

Um dos pontos que o sr. destaca para a melhoria do ensino médio é o fim do vestibular. O que há de meritório no fim ao vestibular?

HADDAD – As pessoas às vezes misturam dois debates diferentes. O fim do vestibular não significa o fim do processo seletivo ou o fim da meritocracia para o acesso à educação superior. Ao contrário, reforça a meritocracia. Segundo, nós estamos sintonizando o Brasil com os melhores sistemas do mundo. Os sistemas universitários chinês, americano, francês, alemão, não têm esse expediente de cada instituição fazer o seu processo seletivo, porque isso causa disfuncionalidades de toda ordem no sistema, com a sobreposição de conteúdos cobrados que acabam se transformando num mega currículo intransponível para a escola em três anos. É uma questão de racionalização e reorganização curricular. Se formos considerar um modelo que me parece o mais adequado eu penso que é o do SAT americano, porque permite que o estudante faça o teste mais de uma vez por ano e se valha da melhor nota em um período de tempo para oferecer à instituição na aplicação para uma vaga. Eu entendo que estamos, com essa reforma, dando uma chance real para o Ensino Médio se reorganizar em bases racionais e lógicas. E, na verdade, haverá um reforço da questão do mérito. Porque você morando em qualquer estado americano, se obtém um bom resultado no SAT, disputa uma vaga em Harvard. E ninguém lembra de Harvard como uma instituição do estado onde ela se encontra. É uma instituição, aliás, aberta para o mundo. Boa parte dos seus estudantes não são americanos.Então, na perspectiva de dar mais robustez para o nosso sistema universitário, eu penso que a seleção em bases nacionais é o que vai promover a convergência de talentos, inclusive por área. Determinadas universidades vão se desenvolver e atrair alunos para determinadas áreas, outras vão se desenvolver em outras. No fim, vai consolidar um sistema que está em expansão, mas precisa se qualificar.

O novo Enem já teve duas edições. O ministério já conseguiu verificar alguma diferença no currículo do ensino médio? Já houve alguma mudança significativa nesse enxugamento que o senhor diz ser necessário?

HADDAD – Eu tenho conversado com professores do ensino médio. A última conversa que tive foi com um professor de Cocal dos Alves (PI), que foi destaque este ano e é recordista de premiação na olimpíada de matemática. Nas palavras dele, o Enem mudou a escola. Eu tenho ouvido muito isso, especialmente daqueles professores muito comprometidos. Os cursinhos estão mudando, está todo mundo se mexendo. É sempre uma questão de ritmo. Em um universo de quase 200 mil escolas a adaptação a um novo regime não é simples.

O que os Estados deveriam fazer pra acelerar a evolução do ensino médio?

HADDAD – Há exceções, mas, de fato, na média, a atenção dos governos estaduais… Temos que registrar que há governos que estão promovendo mudanças interessantes. Um caso concreto, que falei para a equipe da OCDE que me perguntou, é o Ceará. E se me perguntarem uma cidade, Sobral.

Apenas esse?

HADDAD – Depende da área. Tem muita coisa acontecendo. Por exemplo, educação profissional no Paraná teve uma evolução importante. Agora, recentemente, o governo de São Paulo vem aliando as políticas públicas com o governo federal e assina segunda-feira (aconteceu no dia 11 de julho) um termo de parceria do governo do Estado com o Instituto Federal para promoção do Ensino Médio integrado. Então eu penso que está havendo um despertar para a situação do ensino médio no País. Foi tema de campanha no ano passado em vários Estados. O Acre tem procurado fazer um trabalho muito sério.

O Programa Universidade para Todos (ProUni) cresceu muito nos últimos anos, mas nem todos os cursos podem ser considerados de boa qualidade ou mesmo de qualidade razoável. Não há aí um risco de financiamento da mediocridade?

HADDAD – A faculdade ruim não serve nem para o bolsista muito menos ainda para o pagante, que faz um esforço enorme para se formar. Então nós estamos procurando suspender processos seletivos, diminuir vagas de ingresso. Começamos por áreas muito estratégicas – medicina, direito e pedagogia – e já fechamos muitos cursos. Só de medicina já cortamos 800 vagas, mais de 8% das disponíveis. Isso em um País que precisa de mais médicos. A questão da qualidade precisa ser enfrentada. Mas não há como negar que, a partir do momento que se contempla 1 milhão de jovens – vamos fechar esse ano com 1 milhão de beneficiários no ProUni -, na média a vantagem para o jovem de escola pública de baixa renda é inquestionável. Nós estamos mudando a vida de muitas pessoas que não teriam outra oportunidade. É uma rede mais capilarizada que as universidades públicas e até por essa razão…

Mas não tem um pouco de populismo nisso? Não era melhor investir mais em cursos noturnos das universidades públicas federais, que têm, reconhecidamente, mais capacidade? As universidades públicas não têm ainda uma produtividade muito baixa?

HADDAD – É que nós podemos fazer isso também. E estamos fazendo isso também. Não há uma contradição com o ProUni. As Federais se interiorizaram como nunca. Estão em 126 novos municípios. A maioria dos cursos abertos foi no período noturno e muitas adotam políticas afirmativas. Você fala da produtividade. Nós não podemos negar que elas viveram um processo de subfinanciamento. Você conversa com qualquer reitor para ver o que foram os anos 90 para as universidades com a DRU.

Viveram 10 anos de subfinanciamento. Dez anos de subfinanciamento e você liquida qualquer instituição.

Mas, ministro, subfinanciamento não tem nada a ver com reorganização de carga horária. Isso não significa, por exemplo, que um professor possa concordar em dar aula apenas em um período do dia, não queira lecionar à noite, por exemplo.

HADDAD – Aí tem toda a questão do papel indutor do MEC para que as instituições adotem boas práticas nesse sentido. E, por exemplo, eu acho que a fixação da meta de 18 alunos por professor também foi um ato importante do Plano Nacional de Educação. A universidade tem autonomia, mas ela responde à sociedade. Isso do ponto de vista do ensino e do atendimento. Mas há também metas de qualidade no que diz respeito à pesquisa como, por exemplo, a titulação dos professores, as metas de formação de mestres e doutores. Nós não podemos confundir autonomia com soberania e temos que entender que essa autonomia não exime as instituições federais de prestar contas à sociedade. E o plano incorpora essa perspectiva.

O senhor, então, não concorda com aquele projeto que está na Comissão de Educação do Senado e que libera as instituições de ter maioria de mestres e doutores?

HADDAD – Discordo completamente. Vai na contramão do que nós estamos fazendo. Hoje o professor de escola básica quer o mestrado. E o universitário não vai ter? Em alguns casos até se justifica. Existem cursos superiores de tecnologia em que um profissional com experiência resolve muito bem o problema. Mas, na média, temos que buscar a excelência.

Isso parece uma simplificação para abastecer de professores as universidades privadas.

HADDAD – É, foi uma má ideia.

Mas, em relação à expansão das universidades federais, a situação melhorou? Muitas instituições novas e muitos novos campus começaram a trabalhar com estrutura precária.

HADDAD – Nós estamos construindo 3,5 milhões de metros quadrados nas universidades federais. É o dobro do que a maior incorporadora brasileira usina por ano. Desses, entregamos quase 2 milhões em salas de aula, laboratório, moradia estudantil. Agora, temos um problema no Brasil que precisamos registrar. O mau empresário que ganha uma licitação tem penas muito pequenas no Brasil. O mau empresário ganha uma licitação e não se incomoda de abandonar um canteiro, de atrasar uma obra e colocar a faca no pescoço do reitor em busca de um aditivo.

Se o reitor firmar posição, sofre as consequências de menos mão de obra no canteiro. Nós temos um problema no Brasil, que é das obras públicas em geral, que é legislação.

Os empresários são os mesmos que constroem para o setor privado. E isso não acontece.

HADDAD – Eu penso que a legislação deve ser aperfeiçoada no sentido de punir os empreiteiros que realmente não tem compromisso com a causa pública. Ganham licitações depois não entregam. Eu falei de maus empresários. Eu vou te dar um exemplo que aconteceu no sul: a empresa ganhou uma licitação, não conseguiu mão de obra para as duas obras, foi para a mais lucrativa e abandonou o canteiro. Para você fazer o destrato, pactuar, relicitar todos os procedimentos… No setor privado, abandonou o canteiro eu contrato outro. No setor público não há essa liberdade. Se houvesse mais rigor da lei contra esse tipo de prática, que é muito mais comum que a gente imagina, nós aperfeiçoaríamos o regime de licitação no país.

Por que, então, não se coloca esse mau empresário em uma lista que o proíba de trabalhar para o governo federal?

HADDAD – Porque toda iniciativa de restringir a concorrência é vista como uma coisa negativa para o sistema. Mas excluir os maus concorrentes não é ruim, depura.

O sr. acha que é um bom princípio alunos, professores e funcionários terem o mesmo peso na escolha do reitor de uma universidade?

HADDAD – Eu, pessoalmente, defendo a prevalência do docente. É uma opinião minha, embora eu respeite os colegiados superiores que decidiram em sentido contrário. Outra coisa é que o Brasil vem um pouco nessa tradição por causa da ditadura. Ela foi construída a partir daí e vem sendo respeitada desde então. Mas vai chegar o dia em que a comunidade acadêmica, sem abrir mão do direito de escolher seu dirigente, vai rediscutir a forma de seleção. Por exemplo, o Ministério da Ciência e Tecnologia, nos institutos, faz comitê de busca. E não é menos legítimo porque o próprio instituto está de acordo. Isso não é abrir mão da prerrogativa de escolher o dirigente. É só repensar o processo de seleção. Eu acho que estamos um pouco amarrados ainda a essa tradição em virtude da nossa história. Mas, se você garantir autonomia universitária, se a universidade não se sentir ameaçada pelo Estado, se sentir que tem liberdade de repensar esses modelos, ela vai encontrar no futuro outros caminhos e aprimorar esses processos.

O MEC está construindo 3 milhões de metros quadrados de novas instalações em universidades. Tem pessoal para todas essas universidades? E orçamento? Os funcionários das universidades federais e dos institutos tecnológicos estão ameaçando greves por reajustes que o Ministério do Planejamento já disse que não tem recursos para pagar.

HADDAD – Eu assumi o MEC em 2005. Desde então não tive greve. Nós estamos com o calendário em dia. Tivemos condições de sentar e discutir com as categorias e estabelecer acordos que fizeram com que a universidade voltasse à normalidade. Estamos vivendo agora um repique inflacionário que precisa ser atendido, não podemos desconsiderar, e as categorias são capazes de entender que você tem um ano em que as coisas ficam mais difíceis, mas que você pode prever alterações e melhorias nas carreiras de Estado. Nós estamos formando o dobro de mestres e doutores que formávamos no ano 2000. Estamos formando 45 mil mestres e doutores em um ano. Temos uma meta ainda mais ambiciosa para o PNE. Mas para a expansão que está acontecendo há quadros em número suficiente para dar sustentabilidade ao processo.

Qual é a chave da solução para os hospitais universitários?

HADDAD – Eu penso que há dois modelos sendo discutidos no País. Eu realmente gostaria de ver essa situação apresentada para a sociedade de maneira mais clara. Existe um modelo das Organizações Sociais com um ingrediente adicional, que é a dupla entrada, as duas portas (para usuários do Sistema Único de Saúde e outro para convênios particulares), e existe o modelo que o MEC propôs em 2004 e finalmente teve seu pleito atendido, que é uma empresa 100% pública com 100% dos seus leitos vinculados ao SUS. Eu entendo que a maneira adequada de fazer a leitura dos princípios do SUS, que eu considero um projeto avançadíssimo, é esse segundo modelo. Eu penso que o primeiro modelo, que está vicejando no País hoje, vai desvirtuar o SUS. Eu entendo que essa discussão está pouco aprofundada, e é um assunto que envolve 5% do PIB, a saúde da população. Esses modelos de gestão precisam ser mais bem discutidos. Nós chegamos a uma compreensão do problema, outras pessoas chegaram a outros resultados e esses modelos não estão sendo devidamente discutidos para algo que vai moldar o que será o SUS daqui a 10, 20, 30 anos.

Há muita resistência a esse projeto da empresa de gestão no Congresso, não?

HADDAD – Porque os parlamentares não estão vendo, na minha opinião, o risco do primeiro modelo, que é o que está emergindo com muita força no plano federativo. O modelo que vai vigorar, se esse projeto não for aprovado, é o das Organizações Sociais com duas portas. Essa é a minha opinião. Nós estamos propondo um modelo que queremos discutir. Que, na minha opinião, é diferente deste que está prevalecendo sem discussão. O desejo do MEC é aprofundar esse debate, pautar essa discussão. Essa perspectiva do ministro Padilha (Alexandre Padilha, da Saúde) de fixar metas, à maneira do que foi feito no MEC, mesmo que em outro registro, é uma iniciativa que vai ao encontro de uma perspectiva de uma gestão pública transparente e eficiente.

O senhor está sentindo resistência?

HADDAD – Não, nós aprovamos com uma folga razoável na Câmara. E no Senado teríamos aprovado se tivesse chegado um dia antes. Agora, ele volta para a Câmara como um PL. Eu entendo que está amadurecido para ser aprovado sem dificuldade. No Senado nós tínhamos maioria para aprovar. Não foi possível votar, mas tínhamos maioria.

O MEC tem enfrentado problemas recorrentes de administração. Foi o furto das provas do Enem, os problemas do cabeçalho nas provas seguintes. Agora, recentemente, a cartilha em que o resultado de 10 menos 7 é igual a 4. Como esses erros passam?

HADDAD – É sempre lamentável quando acontece um erro de revisão. Mas o MEC trabalha com quase dois mil títulos. Então, do mesmo jeito que no governo Fernando Henrique Cardoso o Ceará sumiu do mapa, no governo Serra, em São Paulo, outro Paraguai apareceu no mapa. Acontece. Não estou com isso querendo justificar o erro. Tanto é que talvez essa tenha sido a primeira vez que um ministro tenha pedido apoio da CGU (Controladoria-Geral da União) para avaliar o que aconteceu exatamente nesse processo. Nós tomamos as providências cabíveis, reunimos as pessoas que estão usando o livro para fazer as correções devidas. É uma coisa que, infelizmente, acontece, e nós temos que tomar providências para aperfeiçoar o processo. Veja que estamos com o triplo de orçamento com a mesma estrutura. É um ministério que hoje responde pelo quarto ou quinto orçamento do País com a mesma estrutura. O volume de trabalho é muito grande. Isso não justifica, tem que ser apurado, mas em um grande volume de livros e títulos isso pode acontecer. Não deve, mas pode. E eu poderia citar aqui dezenas de falhas de revisão que, infelizmente, às vezes passam. O importante de responsabilizar e apurar é passar uma mensagem para o serviço público em geral que estamos lidando com coisas muito importantes e que esses descuidos não são aceitáveis. Não tive notícia de ninguém ter tomado providências tão duras quanto eu tomei nesses outros episódios que eu citei. As coisas não foram apuradas até fim.

O Enem era um exame de avaliação e passou a ser, na prática, um vestibular nacional. Isso não explica os erros (na impressão e logística) que tumultuaram os últimos exames?

HADDAD – Em relação ao Enem, ele se tornou o que é com o ProUni. Não foi com a reformulação da prova. Com o advento do ProUni nós tínhamos 1 milhão de inscritos e passamos a 3 milhões de inscritos. O grande salto aconteceu em 2005. O que entendemos naquela ocasião: o Enem está preparado para vir a ser o que é o SAT (prova americana). Desde 2005 esse debate vem sendo feito no Brasil. Ocorre que o Enem – e com isso não vai nenhum demérito da proposta original, que teve a melhor das intenções – simplesmente não era aceito pelas universidades de ponta. Porque era considerada uma prova muito fraca. Uma prova completamente insuficiente para o propósito de substituir o vestibular. Em segundo lugar, ele não estava ajustado à Teoria da Resposta ao Item (TRI, que permite comparar provas de anos diferentes). Então, quando o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) traz a proposta de reformular o exame para que ele atenda a esses propósitos a questão da logística já estava equacionada desde 2005, aos olhos do Inep. O Inep não colocou essa questão logística como um ponto importante na hora da tomada de decisão. Colocou a questão pedagógica.

E essa eu penso que o tempo provou que estava correta a mudança. É óbvio que o abalo que o Inep sofreu com a questão do furto teve repercussão no tempo. A logística já vinha sendo tratada desde 2005. O Enem já tinha 3 milhões de inscritos naquela ocasião. Fomos para 4 milhões. De 1 milhão para 3 milhões é uma mudança de patamar. De 3 para quatro milhões é uma evolução quase que natural. Agora, na minha opinião, o equívoco foram as ameaças constantes que o Inep sofria, e sofreu mesmo depois desse episódio, de ser obrigado a licitar o exame. Nenhum vestibular que é uma fração diminuta do Enem faz isso. O maior vestibular do Brasil, que é a Fuvest, representa 2 a 3% do tamanho do Enem. E o grande ponto ali é que, a cada momento que o Inep dizia que não tinha condições de contratar por menor preço por tudo que a operação envolvia, o Inep era ameaçado, inclusive através dos jornais. Esse nó que foi desatado. Naquela ocasião, como nunca apareceu um novo player na licitação, o Inep preferiu não enfrentar o debate com os órgãos de controle e, antes da edição de 2009, promover a mesma licitação que havia sido realizada nos anteriores 13 anos, na confiança de que aconteceria o mesmo que aconteceu. Então, se houve um erro, foi o de não ter, às vésperas daquele exame, ido ao encontro dos tribunais e órgãos de controle e ter explicitado: “Olha, não é possível fazer dessa maneira, nós estamos fazendo dessa maneira porque só tem um concorrente”. Mas já é um faz de conta essa licitação porque não há pessoas habilitadas a promover um exame dessa escala. Então nós estamos aqui correndo um risco desnecessário. Vamos dar toda transparência à contratação, mas vamos fazer o que a USP faz. Tem uma fundação que cuida do seu vestibular e ela acumula conhecimento. Eu entendo que é esse ponto. E é óbvio o impacto que o furto teve. Não foi contratada nenhuma gráfica de fundo de quintal. Foi contratado o maior parque gráfico do País. Que no dia do roubo soltou uma nota dizendo que não havia sido ali, porque eles tinham todas as condições de segurança.

Então a própria gráfica tinha segurança de que as suas condições de segurança estavam observadas. E isso foi o que o Inep viu.

O Enem só era usado por algumas universidades particulares, para 300 e poucas mil vagas do ProUni. De repente, ele passa a ser usado pelas universidades federais, que sempre tiveram a maior concorrência, o maior interesse. A importância do Enem passou a ser maior. Tanto que houve um furto. Ninguém tinha se interessado em furtar a prova do Enem antes.

HADDAD – Até hoje está um pouco mal explicado esse episódio do ponto de vista do que pretendia de fato aquele cidadão (que furtou a prova).

Porque não era ganhar dinheiro, aparentemente. Alguém que se expõe tanto…

Por que a cartilha e o kit anti homofobia deu tanta polêmica? O senhor não acha que terceirizaram excessivamente a produção desse material ao repassar algo tão delicado para a mão de organizações não governamentais?

HADDAD – Foi uma emenda com representação do Ministério Público para que providências fossem tomadas no sentido de combater a homofobia nas escolas. Ela (a cartilha) sequer havia passado ainda pelo comitê de publicações do Ministério. Sobre isso, eu queria fazer uma consideração. Nós estamos vivendo um momento que considero um pouco delicado. O Brasil, do ponto de vista institucional, avançou. Ninguém discute democracia, estabilidade institucional. Eu penso que do ponto de vista sócioeconômico o Brasil avançou, não há espaços para retrocessos. Mas do ponto de vista da cultura, no sentido amplo, nós verificamos uma situação que exige algum cuidado. Nós tivemos uma campanha contra a inclusão das pessoas com deficiência na escola pública, uma campanha de rede social, meio subterrânea, contra políticas de inclusão garantindo a dupla matrícula – porque na legislação brasileira para incluir você não precisa tirar da escola especial, a legislação garante o duplo financiamento – mas a campanha ocorreu. Tivemos outra campanha que se valeu de inverdades. Tomou-se ali uma cartilha para profissionais do sexo do programa DST-Aids e se propagou no Parlamento que aquilo fazia parte da campanha contra homofobia. Tivemos um debate, na minha opinião, completamente torto, sobre o livro de uma educadora que dedicou 40 anos da sua vida ao magistério e que o Ministério Público arquivou a reclamação, inclusive criticando a abordagem temerária que se fez sobre esse assunto. Então são temas que precisamos cuidar. A campanha (presidencial) do ano passado não foi uma campanha… Foi a pior que foi feita porque tratou desses assuntos não só superficialmente mas com um viés obscurantista. E nós estamos um pouco nesse caldo do qual temos que sair com racionalidade. Fazer a discussão desses temas, que são delicados, que envolvem valores, mas nós temos que fazer a agenda avançar.

Em um país democrático, tudo que é discutido abertamente, que não clandestino, contribui para o debate. A gente pode discordar daquela opinião extremada para um lado ou outro. Onde está exatamente a preocupação sobre isso?

HADDAD – Nesses temas nós temos que entender que há posições extremadas na sociedade, mas que há uma conduta que o poder público tem que seguir, até por força da lei.

Uma coisa que é importante, que o MEC tem empenho de discutir, por que têm de ser as ONGs a formular o conteúdo? Por que uma ONG tem que fazer isso, uma coisa que está estritamente dentro da responsabilidade do MEC?

HADDAD – O MEC tem parcerias com ONGs em atividades-meio. Em atividade-fim, não. Em atividades de formação, não. Mas em atividades-meio temos que buscar. Nós temos parcerias com o Instituto Ayrton Senna, com o Itaú Social, com o Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária), com ONGs que se especializaram em determinadas temáticas. Trazer o conhecimento dessas ONGs para dentro do MEC é importante. Agora, aqui esse material é metabolizado. O que sai não é o que chega. Aqui tem um comitê de publicação que faz a triagem, que faz curso de formação, faz teste, faz grupos focais para fazer análise qualitativa. Qualquer material do MEC, sobretudo novo, passa por aí. Esse processo estava em curso e foi a partir de um grupo de capacitação de professores que esse material vazou para Internet e causou o rebuliço que causou. Agora, a determinação da Presidência de criar na Secom (Secretaria de Comunicação) uma comissão que vai avaliar questões de valores é uma preocupação adicional que o MEC, a bem dizer, já teve ao constituir seu próprio comitê, que é intersecretarial. Mas ela agora está fazendo um interministerial com a preocupação de criar filtros para o que sai do poder público, seja para públicos específicos, seja para uma distribuição universal, passe por um crivo mais rigoroso. Mas eu não vejo porque não, em atividades-meio, não considerar a hipótese de firmar parcerias para trazer para dentro do ministério experiências que até podem ter um determinado viés, mas que são importantes. Mas é para isso que serve o ministério, para metabolizar esse material.

Não consigo ver onde está a gravidade desse debate, mesmo que seja com pessoas que podem não ser as mais corretas. Mas o debate é público. A gente também tem uma tendência a achar que tudo aquilo que nos parece politicamente correto não deve ser questionado. Mas se há pessoas que querem discutir isso, então é positivo.

HADDAD – Eu também acho. O que eu assinalei é um cuidado adicional que o Ministério da Educação tem que ter porque existe um ambiente hoje no plano da cultura que pode levar o País a…

De onde apareceu esse ambiente novo?

HADDAD – Olha, é uma resposta difícil de ser dada. Se eu fosse arriscar uma hipótese, eu entendo que a comunicação ganhou com a tecnologia e posições que estavam muito… Do mesmo jeito que existe na internet um manancial de conhecimento novo, de acesso, de abertura, corre ali de tudo. A tecnologia moderna destampou para o bem, não vejo como problema, a minha preocupação é com o resultado, não com o debate.

O MEC quer que o País avance nessas temáticas mais delicadas. Vai ter que passar pelo debate. O que eu estou sugerindo é: nós, que temos responsabilidade com os resultados, com que tipo de sociedade nós queremos construir – tolerante, livre, que respeite a diversidade -, nós temos que ter um cuidado a mais. Sobretudo porque entrou no debate, em função dessa panela destampada, uma temática que não estava na arena política.

Será que isso pode ter acontecido porque a direita, mais tradicional, mais conservadora, finalmente aprendeu a mexer na Internet?

HADDAD – Não acho que a esquerda aprendeu a mexer primeiro. Mas talvez você tenha que, com essas ferramentas novas, uma parcela da população que não conseguia ser ouvida, passou a ser ouvida. Isso tensiona o debate. E ao tensionar o debate, o papel daqueles que querem conduzir o processo no sentido de uma sociedade livre e tolerante, tem que ser redobrado. Sobretudo do gestor público.

Então o que incomoda hoje é que às vezes há, no debate, laivos de intolerância?

HADDAD – É, a preocupação é essa. É que estão emergindo – e aí não estou fazendo recortes ideológicos – posições extremadas. É essa a preocupação.

FONTE: Lisandra Paraguassu e Rui Nogueira – O Estado de S. Paulo